Há um vício em andamento. As letras vivem seu pequeno deleite sempre que por elas passam os olhos dos leitores. A vida há nas letras ou nos olhos de quem lê? sentencia o conhecedor: há de ser nas mãos de quem escreve. Evite esforço, aqui não há espaço para respostas. É a contrução que nos interessa, o caminhar, o processo, a empresa de fazer um pensamento. Espaço da criação do futuro da literatura brasileira. Ler e escrever: o remédio para o vício da criação.

17 maio, 2010

A história de Joaquim Monteiro

"Não conheço Joaquim Monteiro preso neste quartel".

Na tarde mais importante de minha vida dediquei todo meu tempo aos sorvetes e à língua de Carmem.
Nos banquinhos de uma Cinelândia fresca de inverno eu não me cansava de por o nariz na boca de Carmem e inspirar o aroma anestésico que aquela mulher trazia na alma.

Carmem efetivamente possuia o dom da anestesia. Eu, besta, possuia nada mais que bolsos repletos de livretos e anotações monotemáticas riscadas em papéis de mesas bar.

Mas na vida tudo o que não é dor é davaneio. E pegaram Carmem assim.

E riscaram o abdomen de Carmem de fora para dentro. E abriram seu tronco feito manga no verão e por minutos intermináveis inalaram extasiados o perfume selvagem de dentro dos ossos quebrados de Carmem. A deixaram viva com as vísceras expostas, feito um jardim bonito de camélias e crisântemos.

E me pegaram.

E riscaram minhas pernas com fios elétricos e puseram meus pés em baldes de água fria durante mais de sete dias. Esmurraram meu fígado até a carne moer.

Graças a deus tenho braços fortes.
Sou Joaquim Monteiro e decidi contar minha história neste blog de Thiago Almeida.

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